🇧🇷 A vida no Brasil pelos olhos de um expatriado: experiência pessoal
Futebol, café, séries de TV e carnaval. Essas quatro palavras constituem um conjunto típico de associações com o Brasil, que está tão distante mas ao mesmo tempo próximo de nós. Na era da globalização, você pode encontrar “o seu povo” mesmo num continente tão distante. Alina mora lá há seis meses e está pronta para contar por que o maior país da América do Sul é atraente e ao mesmo tempo perigoso, e por que é melhor viajar de avião.
— Nossa mudança para o Brasil aconteceu por causa do trabalho. Meu marido e eu voamos para São Paulo em dezembro. Foi como um salto do inverno para o verão. Como nossa cidade fica no sul, mesmo no mês mais quente – dezembro – a temperatura é muito confortável – 30,35 graus no máximo. Mas, curiosamente, ao contrário do calor habitual, quando eu não queria fazer nada, aqui é o contrário – uma onda de energia! Aliás, em comparação com o Norte do Brasil, temos sorte – lá, ao sair do avião, você pode desatarraxar imediatamente a camiseta. Tanta umidade. Agora que estamos no inverno, o termômetro fica entre 27 e 29 graus. É engraçado ouvir os moradores reclamando do frio.
É verdade que à noite fica muito frio. Devido ao curto horário de verão – em qualquer época do ano não ultrapassa as 12 horas – às 18h00 já pode estar muito escuro lá fora e, como não há aquecimento nos apartamentos, também faz frio. Por exemplo, agora dormimos debaixo de vários cobertores ao mesmo tempo.
Para um turista, definitivamente não há melhor época para ir ao Brasil. Basta lembrar que no dezembro convencional, quando aqui é verão, faz calor igual tanto no sul quanto no norte. Além disso, nas vilas turísticas há mais locais de lazer, bares e restaurantes.
— Conte-nos sobre a cidade em que você mora.
— São Paulo é a cidade mais populosa do Brasil. Cerca de 24 milhões de pessoas vivem aqui. Uma metrópole, centro de negócios, cultura e economia de toda a América Latina. Esta cidade não é exatamente sobre turismo. Compras, atendimento excelente – sim, mas se você quer o colorido do Brasil, deve escolher outros estados.
São Paulo é muito verde. Apesar da abundância de prédios altos (uma espécie de Nova York brasileira única), é legal que a prefeitura se preocupe com o meio ambiente, cuidando dos parques e constantemente plantando novas plantas. Chega até ao ponto de que, no planejamento da construção de um prédio, as árvores deste local não são cortadas, mas sim desenterradas! Então eles são simplesmente transplantados para outro lugar.
Publicidade é proibida em São Paulo. É difícil de acreditar, mas não há um único banner com anúncio na cidade. Os anunciantes locais encontraram uma saída. No trânsito intenso, quando os semáforos ficam vermelhos para os carros, eles ficam no cruzamento e desdobram o anúncio nas mãos. Verde – eles se foram!
São Paulo é considerada a capital dos negócios do Brasil. Mas em muitas áreas, se você olhar para cima, verá uma verdadeira teia de fios. Não quer dizer que isso seja um obstáculo, mas passar por baixo de um fio que está em curto não é muito agradável.
— E as favelas?
— Tem em São Paulo também. É verdade que só os vi de passagem. Eu tinha o preconceito de que todos os pobres das favelas eram perigosos. Claro que isso não é verdade. Existem pessoas pobres que nunca tomarão o que pertence aos outros, mas existe outra categoria. Os turistas preferem ficar em áreas mais caras. Mas isso ainda não irá protegê-lo 100% dos ladrões – as ruas não são vigiadas 24 horas por dia, 7 dias por semana. É apenas sorte.
– É tão incomum ouvir a palavra ladrões…
– O que posso dizer – há alguns dias vi uma verdadeira perseguição! Exatamente como nos filmes! O ladrão dirigia uma motocicleta e dois policiais correram atrás dele. Você não precisa assistir séries de TV no Brasil! Aqui eles são a própria vida. Meu marido e eu tentamos não sair à noite, não viajar de transporte público. Apesar de o metrô e os ônibus locais serem muito confortáveis, pode haver ladrões por lá. Entrar em um ônibus, sacar uma arma e ameaçá-los com ela até que os passageiros entreguem suas malas é um fenômeno muito real. Os táxis locais e o Uber são os meios de transporte mais adequados.
Aqui você não pode simplesmente sair e dar um passeio. Um ladrão pode, por exemplo, roubar uma bolsa de uma bicicleta em alta velocidade. Então, se meu marido e eu quisermos passear em algum lugar, vamos ao parque. Claro, você não deve viver 24 horas por dia, 7 dias por semana, pensando que poderá ser roubado. Muitos dos meus amigos viajam livremente em transporte público e se sentem bem. Talvez eu precise de um pouco mais de tempo para me acostumar.
Concluindo o assunto dos ladrões, vale ressaltar o desserviço que prestaram ao povo. Se uma pessoa adoece na rua, existe a possibilidade de que não a ajudem. Houve casos em que golpistas fingiram ser assim. As pessoas se aproximaram e cúmplices saíram correndo da esquina e roubaram a pessoa.
— Como chegar ao Brasil?
Se você tem visto, é claro que isso facilita muito a viagem: há mais opções de como chegar com mais rapidez e conforto.
Não tenha medo do vôo: é longo, mas muito confortável. Pessoalmente, gosto ainda mais de voar sobre o oceano por 14 horas. Eles te alimentaram, te deram de beber – beleza!
Visitantes de alguns países podem permanecer no Brasil por 90 dias sem visto. Ao mesmo tempo, você pode permanecer no país pelo mesmo período, mas precisará passar por uma comissão e preencher documentos. A propósito, não são necessárias vacinas. Eles só podem ser feitos se você planeja visitar a Amazônia.
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— Como é o inglês na terra do sol?
— Para se sentir confortável aqui, é melhor aprender algumas frases em Port Gali antes da viagem. Mesmo em hotéis e restaurantes, nem sempre os funcionários conseguem responder corretamente em inglês; é necessário recorrer a um tradutor online.
Comecei a aprender português para poder me comunicar com os habitantes locais. Quando estudante na MSLU, minha terceira língua era o espanhol. Conhecê-lo agora ajuda muito no aprendizado do português, já que são parecidos entre si. Agora posso pedir meu próprio café nas cafeterias, marcar consulta com médico e resolver problemas do dia a dia. Isso, claro, facilita muito a vida no Brasil. Embora muitos locais cometam erros no idioma, apesar do português aqui ser leve.
—O que você deve estar preparado ao viajar para o Brasil?
— A Internet funciona em todos os lugares aqui! Ele até pega 5G!
A população local é muito barulhenta.
Você precisa se acostumar com o fato de que chegar 15 minutos atrasado é normal. Certa vez, esperei 40 minutos na clínica pela minha consulta. Ninguém sequer se desculpou. Portanto, 15 minutos não é considerado um atraso.
Fiquei surpreso com a forma como os vendedores ambulantes locais são tratados aqui. Lembro que quando estava sentada na manicure, uma mulher entrou e começou a oferecer doces artesanais. Talvez tratássemos esse gesto com desconfiança, mas no Brasil isso é um fenômeno normal. Portanto, não tenha medo de comprar algo de segunda mão na rua.
O Brasil é um país de férias! Os moradores locais apresentam motivos diferentes todos os dias para comemorar algo.
— O que você pode dizer sobre viajar pelo país?
— No Brasil, o transporte terrestre não é muito desenvolvido. Existem restrições em qualquer rodovia aqui. Portanto, pode levar um tempo absurdamente longo para viajar, mesmo que seja uma distância relativamente curta. A ferrovia é mais adequada para o transporte de mercadorias. É mais barato e fácil viajar dentro do país de avião. Não há companhias aéreas de baixo custo aqui, mas para uma curta distância o preço de uma passagem de ida e volta será em média de US$ 100.
O Brasil é um país de helicópteros. Às vezes os mesmos 60 km de São Paulo até o mar podem levar 5 horas, então muita gente chega de helicóptero. Conheço uma garota que mora perto do oceano. Se, por exemplo, ela precisa ir a algum lugar a negócios, ela chama um helicóptero. É muito mais rápido que de carro. Aliás, o Uber local aqui tem a opção de chamar um mototáxi, o que também é bastante cômodo.
Durante minha estada de seis meses pude conhecer um pouco o Brasil. Então, por exemplo, meu marido e eu moramos um mês inteiro à beira-mar no estado de Santa Catarina, na cidade de São Francisco do Sul. Arquitetura colonial portuguesa, tranquilidade, deliciosos frutos do mar – o que poderia ser melhor? Perto dali ficava a pequena cidade de Joinville. Lá você poderá passear pela Mata Atlântica e observar os macacos em seu habitat natural.
A duas horas de carro de São Paulo fica a Suíça brasileira, a cidade de Campos do Jordão. Estando lá, é difícil acreditar que você está geograficamente no Brasil.
Em geral, temos grandes planos para explorar o país. Gostaria também de conhecer o Rio, ir a um resort no sul onde as estrelas do futebol passam férias e passear pela floresta amazônica.
Além disso, meus sonhos também incluem viajar pelo continente. Por exemplo, voltamos recentemente de Buenos Aires. Lembro-me de uma situação em que, durante o jantar, numa das ruas mais movimentadas da capital, uma cigana apareceu e simplesmente tirou a carne do prato. A América do Sul é tão colorida!
BLITZ
— O que você deve trazer do Brasil?
– Café! Você também pode comprar algumas roupas locais – elas são brilhantes, coloridas e muito bonitas. Aconselho as meninas a olharem mais de perto os produtos locais para a pele, que são realmente bons.
— Que comida você definitivamente deveria experimentar?
— Precisamos ir ao Rodízio. Este é todo um ritual gastronômico! Um jantar de degustação, durante o qual um prato preparado na hora (principalmente carne) é transportado sem parar pelas mesas. Tudo lá é incrivelmente delicioso!
Claro, vale a pena experimentar os frutos do mar cozidos locais – polvo, camarão e os populares cogumelos shimeji.
MAS! Todos os brasileiros, por mais saciados que estejam, com certeza tomarão sobremesa e café expresso após a refeição principal! Sempre! Em geral, bebem apenas café americano e expresso. Como bebedor de café com leite, foi difícil para mim no início. Em vez disso, a cafeteria antes fazia cacau e o restaurante trazia expresso com espuma. Então, se você adora cappuccino e café com leite, esses tipos de café não serão fáceis de encontrar em viagens.
Para bebidas, recomendo também água de coco. É vendido em garrafas normais na loja, podendo também ser bebido com canudo de coco.
— Sem quais palavras uma viagem ao país não estaria completa?
— Os moradores locais sempre demoram muito para dizer olá. Primeiro vem o informal Olá! Então – uma saudação dependendo da hora do dia. Bom dia – Bom dia. Boa tarde – Boa tarde. Boa noite/Boa noite – Boa noite. No final, a pergunta padrão “como vai você?” – Tudo bem? É como “E aí?” em inglês, ou seja, não é necessário responder. O final da conversa também é bastante longo. Desejam sempre uma boa semana, um bom fim de semana e, em geral, tudo de bom. Se você aprender essa saudação padrão, já vai ganhar a simpatia de um brasileiro.







