
Como escolher calçado de segurança: classes S1, S2 e S3
Os sapatos de segurança protegem os pés e reduzem o cansaço ao longo de um turno. Escolher a classe de proteção errada sai caro. Ténis comuns não resistem nem à queda de um objeto pesado nem à perfuração por um prego.
A classe de proteção seleciona-se em função dos riscos de um local de trabalho concreto. A biqueira de proteção é testada com uma energia de impacto de 200 J e uma pressão de 15 kN (segundo a DGUV, 10/2026). A resistência à água do cabedal, a proteção contra perfuração e o perfil da sola vão sendo acrescentados por etapas: S1, S2, S3.
Seguidamente encontra uma descrição das classes, das obrigações da entidade patronal e do dimensionamento. Cada ponto assenta na regulamentação da União Europeia e da Alemanha, e não em alegações publicitárias.
O que se considera calçado de segurança
💡 Em resumo:
- O calçado de segurança é identificado com a letra S (biqueira testada a 200 J) e o calçado de proteção com a letra P (biqueira testada a 100 J).
- As classes S2 e S3 acrescentam um cabedal repelente de água, proteção contra perfuração e um perfil na sola.
- Obrigação da entidade patronal de fornecer equipamento de proteção: 10/2026, segundo a BAuA.
O calçado de segurança faz parte do equipamento de proteção individual. Segundo a classificação alemã, divide-se em calçado de segurança, calçado de proteção e calçado profissional (segundo as regras da DGUV). O calçado de segurança leva a marcação S, o calçado de proteção a marcação P. O calçado profissional não tem biqueira.
O calçado de segurança só pode ser vendido com a marcação CE. Esta confirma que o produto foi testado de acordo com a norma EN ISO 20345. Sem CE, o calçado não pode ser considerado de proteção, mesmo que o vendedor lhe chame calçado de trabalho. Em caso de dúvida, peça previamente o certificado ao vendedor.
Classes de proteção: de SB a S5
A classe de proteção indica os riscos que o calçado cobre no local de trabalho. A classe mais simples designa-se SB e oferece apenas uma biqueira de proteção. Cada classe seguinte acrescenta as suas próprias características ao conjunto base, de acordo com uma lista normalizada.
Classe | O que acrescenta | Onde é adequada |
|---|---|---|
SB | biqueira de proteção básica | oficinas secas, sem água nem perfurações |
S1 | calcanhar fechado, antiestático, absorção de choque, resistência a óleos | zonas interiores secas, armazéns |
S2 | características da S1 mais cabedal repelente de água | trabalho com humidade, pavimentos molhados |
S3 | características da S2 mais proteção contra perfuração e perfil na sola | construção, montagem, trabalho ao ar livre |
S4 | calçado moldado em polímero, antiestático | produção alimentar, oficinas húmidas |
S5 | características da S4 mais proteção contra perfuração e perfil na sola | processamento de carne, zonas húmidas pesadas |

A letra P na designação, por exemplo S1P, significa proteção contra perfuração. Um cabedal repelente de água é acrescentado pela classe S2. Um perfil de sola com ressaltos altos vem com a S3. Compreender estes degraus importa mais do que perseguir uma marca: o mesmo modelo é muitas vezes produzido em três versões.
Onde procurar a oferta
É fácil comparar modelos num catálogo com filtro por classe de proteção. Um desses catálogos foi reunido pela loja talan-s.com. Aí, o calçado está agrupado por finalidade e nível de proteção, pelo que a escolha demora menos tempo.
Antes de encomendar, confirme três aspetos com o vendedor: a classe de proteção, a marcação CE e a política de devoluções. Os tamanhos variam consoante os sistemas, por isso guie-se pela tabela de tamanhos do vendedor em vez de escolher às cegas o número habitual.
Se o calçado for adquirido por conta da entidade patronal, acorde primeiro o modelo. Muitas empresas compram um lote de forma centralizada e pedem que se indique o tamanho antecipadamente. Assim, recebe o par certo sem trocas desnecessárias.
Quem paga o calçado de segurança
Se os riscos não puderem ser eliminados por medidas técnicas, a empresa tem de pagar o calçado. A entidade patronal fornece o equipamento de proteção gratuitamente (segundo a BAuA, 10/2026). Os custos não podem ser repercutidos no trabalhador.
As regras estão definidas no PSA-Benutzungsverordnung. Este documento transpõe para o direito alemão a diretiva geral da UE relativa ao equipamento de proteção. A entidade patronal não só compra o calçado, como também controla o seu estado.
O calçado é entregue para a tarefa em causa, não é um único par para todos. Um montador e um trabalhador de armazém precisam de classes de proteção diferentes. Se o seu par for desconfortável e apertar, é substituído, e não usado até ao fim.
Como escolher o tamanho e a largura
O tamanho determina-se pelo comprimento do pé, não pelo número habitual. Meça o pé ao final do dia, quando está ligeiramente maior. Deixe uma pequena folga à frente dos dedos, para que não batam na frente ao caminhar.
O calçado de segurança assenta mais justo do que o calçado normal, mas não deve apertar. Verifique a largura e o peito do pé: se o arco do pé estiver sob pressão, um tamanho maior não ajuda. Experimente o calçado com as mesmas meias com que trabalha. Uma meia grossa exige um par ligeiramente maior.

Para pés chatos, há duas opções: calçado com largura ajustável ou modelos preparados para palmilhas personalizadas. As palmilhas ortopédicas padrão muitas vezes não cabem no calçado de segurança. Fale previamente sobre isto com o seu médico e com o vendedor.
Manutenção e vida útil
As propriedades de proteção mantêm-se enquanto a biqueira e a sola estiverem intactas. Seque o calçado molhado à temperatura ambiente, longe de radiadores. O calor intenso faz a pele estalar e a cola perder resistência.
Limpe o cabedal com uma escova macia e trate-o de acordo com o material: a pele com cera, os têxteis com um spray repelente de água. Retire as palmilhas e seque-as em separado. Assim, o par dura mais tempo e não cheira mal.
O calçado é substituído quando a biqueira estiver amolgada, a sola gasta até ficar lisa ou o cabedal rasgado. Um par danificado não pode ser aproveitado até ao fim da época, porque já não protege. A entidade patronal substitui esse calçado por um par novo sem custos adicionais para si.
Erros comuns na escolha
- Comprar o tamanho habitual. Os sistemas de tamanhos diferem, por isso meça o pé.
- Usar um só par em todos os turnos. O calçado molhado não tem tempo para secar, pelo que são precisos dois pares.
- Confiar em etiquetas de "segurança" sem marcação. Só o calçado com CE e uma classe especificada conta como de proteção.
- Usar o calçado até se desfazer. Uma sola gasta perde aderência e uma biqueira amolgada não absorve o impacto.
Estes erros custam mais do que apenas dinheiro. Uma sola escorregadia e uma biqueira amolgada levam a lesões que poderiam ter sido evitadas.

⁉️🤔 Perguntas frequentes
Em que difere a S3 da S1P?
A classe S1P inclui propriedades antiestáticas, calcanhar fechado e proteção contra perfuração. A S3 acrescenta a isso um cabedal repelente de água e um perfil na sola. Para construção e trabalho ao ar livre, escolha a S3; para um armazém seco, a S1P é suficiente.
A entidade patronal é obrigada a comprar o calçado?
Sim, se os riscos não puderem ser eliminados por medidas técnicas e organizativas. O equipamento de proteção é fornecido gratuitamente, e esta regra está estabelecida na lei alemã. O trabalhador não paga esse calçado com o seu salário.
Como saber quando substituir o calçado?
Observe o estado: uma biqueira amolgada, uma sola gasta e lisa, um cabedal rachado. Um par assim já não protege. A entidade patronal substitui o calçado danificado, por isso convém comunicar o problema cedo.
Pode colocar-se palmilhas ortopédicas?
As palmilhas padrão muitas vezes não cabem por baixo da biqueira. Muitos fabricantes produzem palmilhas amovíveis e modelos com largura ajustável. O melhor é resolver isto com um médico antes de comprar um par.
O que fazer se o calçado apertar no peito do pé?
Um tamanho maior não resolve o problema. Experimente uma largura diferente ou um modelo com atacadores macios. Se mesmo assim continuar a pressionar, o par é substituído antes de começar o trabalho.
Em resumo: o que verificar antes de comprar
Identifique primeiro os riscos: água, perfuração, objetos pesados. Depois escolha a classe que os cobre: S1P para oficinas secas, S3 para trabalho ao ar livre, S5 para ambientes de produção húmidos.
Verifique a marcação CE e a norma EN ISO 20345. Se for a empresa a fornecer o calçado, acorde previamente o modelo com a entidade patronal. E experimente o par com as meias de trabalho. O calçado escolhe-se para o turno, não pelo preço em exposição.


