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Brasil: guia para planear a viagem por conta própria

Brasil: guia para planear a viagem por conta própria

O Brasil ocupa quase metade da América do Sul e não cabe numas só férias. A Amazónia a norte, o litoral soalheiro do Nordeste, o Rio de Janeiro e São Paulo no Sudeste, o Sul subtropical e as cataratas do Iguaçu na fronteira com a Argentina seguem calendários climáticos diferentes. Por isso vale a pena dividir o país em partes, em vez de tentar percorrê-lo por inteiro. Esta página arruma o Brasil para quem planeia por conta própria: o que ver, que regiões escolher, como se deslocar, quando ir e de que se compõe o orçamento. Cada secção é curta e remete para os nossos artigos mais detalhados. Aqui não há preços: entre a semana do Carnaval e a época baixa variam tanto que um valor fixo induziria em erro.

O que ver: Rio, cataratas e natureza selvagem

A primeira viagem começa quase sempre no Rio de Janeiro. A estátua do Cristo Redentor ergue-se no cimo do Corcovado, dentro do Parque Nacional da Tijuca, e a subida faz-se no comboio Trem do Corcovado a partir da estação Cosme Velho, nas carrinhas oficiais ou por um trilho pedestre. O segundo miradouro da cidade, o Pão de Açúcar, tem um teleférico com duas paragens. Convém reservar os dois cumes para uma manhã de céu limpo.

Estátua do Cristo Redentor contra um céu azul
Estátua do Cristo Redentor contra um céu azul. Foto: Raul Vaccaro, CC BY-SA

As cataratas do Iguaçu ficam na fronteira entre o Brasil e a Argentina. O lado brasileiro mostra o conjunto das quedas, o lado argentino leva por passadiços até junto da água, pelo que se contam dois dias para ver ambos. O Pantanal, a maior zona húmida tropical do planeta, escolhe-se pelos animais: é uma planície aberta onde a fauna se observa a partir da água e das estradas de terra batida.

Mais longe dos roteiros habituais ficam o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás, com a savana do cerrado e as suas cascatas, a cascata do Itiquira, perto da capital Brasília, e o Poço Encantado, na Bahia, uma gruta com um lago que na estação seca ganha um brilho azul. A Amazónia começa-se por Manaus, com um programa de vários dias num lodge.

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Regiões e cidades: para onde ir

O Sudeste assenta em duas cidades muito diferentes. O Rio de Janeiro estende-se entre as montanhas e o oceano: os bairros de praia de Copacabana, Ipanema e Leblon, a boémia Santa Teresa com o seu velho elétrico, o centro com os museus. Em São Paulo há poucos monumentos clássicos, mas há bons restaurantes, parques e ritmo de grande cidade. A duas ou três horas de estrada fica Campos do Jordão, na serra, com um ar mais fresco.

Frente ribeirinha histórica de São Francisco do Sul com um cais
Frente ribeirinha histórica de São Francisco do Sul com um cais. Foto: Rosicler Ceschin, CC BY-SA

O Nordeste é um litoral quente, quase sem variações de temperatura. Fortaleza, capital do estado do Ceará, tem longas praias urbanas, mas não se pode tomar banho em todas, e convém verificar o estado da água antes de sair. A aldeia de Preá, no mesmo estado, escolhe-se pelo vento constante para o kitesurf, pelas dunas e pelas pousadas simples junto ao oceano.

O Sul do país é subtropical e mais calmo. No estado de Santa Catarina ficam Joinville, cidade de raízes alemãs com um grande festival de dança, e a ilha de São Francisco do Sul, com um centro colonial na margem da baía da Babitonga e longas praias oceânicas.

Cidades e aldeias do Brasil: a quem serve cada uma
LocalA quem serveO que ter em conta
Rio de JaneiroPrimeira viagem: praias, montanhas, museus no centroNa movimentada Copacabana há mais pequenos furtos
São PauloRestaurantes, parques, ritmo de grande cidadePoucos monumentos clássicos
FortalezaLongas praias urbanas no litoral quenteNão se pode tomar banho em todas as praias, verifique o estado da água
PreáKitesurf, dunas, sossego junto ao oceanoAlojamento simples, em pousadas; a partir de Fortaleza é mais prático ir de carro alugado
JoinvilleRaízes alemãs e festival de dançaCombina bem com a ilha de São Francisco do Sul, ali ao lado
São Francisco do SulCentro colonial e longas praias oceânicasTransportes públicos fracos, o aluguer de carro justifica-se

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Alojamento: de que depende a escolha

No Rio, o bairro pesa mais do que as estrelas. Copacabana é o mais movimentado e, onde há muitos turistas, há mais pequenos furtos, pelo que, para ficar com mais sossego, vale a pena olhar para Ipanema e Leblon. Os bairros afastados do oceano custam bastante menos e estão ligados à costa pelo metro. Em São Paulo, os mais tranquilos são considerados Moema, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Campo Belo.

Praia de Copacabana com hotéis, palmeiras e um morro
Praia de Copacabana com hotéis, palmeiras e um morro. Foto: Ermell, CC BY-SA

Fora das grandes cidades o formato é outro. No litoral do Ceará fica-se em pousadas, pequenas casas de hóspedes, no Pantanal dorme-se em fazendas com guia, barco e transporte, e na Amazónia em lodges. Para a Passagem de Ano e o Carnaval, o alojamento no Rio reserva-se com vários meses de antecedência, e as férias escolares brasileiras de dezembro, janeiro e julho fazem subir os preços em todo o país.

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Excursões, bilhetes e saídas de barco

Para subir à estátua do Cristo Redentor são precisos bilhetes com hora marcada: na época alta, os horários cómodos da manhã esgotam com vários dias de antecedência. Para o lado brasileiro do Iguaçu os bilhetes vendem-se apenas online, para um dia e uma hora de entrada concretos.

Cataratas do Iguaçu imponentes na floresta tropical vistas de cima
Cataratas do Iguaçu imponentes na floresta tropical vistas de cima

A excursão com guia justifica-se onde, sem ele, pouco se veria: um safari no Pantanal, os lodges na Amazónia, uma saída de barco para ver baleias. As baleias-de-bossa aproximam-se da costa da Bahia de julho a novembro, as baleias-francas-austrais ficam nesses mesmos meses ao largo de Santa Catarina, e os golfinhos de Pipa e de Fernando de Noronha veem-se de terra durante todo o ano.

Baleias e golfinhos na costa do Brasil: onde e quando
LocalÉpocaO que se vêComo observar
Praia do Rosa, Santa CatarinaDe julho a novembro, pico em setembroBaleias-francas-austraisDe terra e de barco
Abrolhos, BahiaDe julho a novembroBaleias-de-bossaSó de barco, cerca de duas horas de navegação
ItacaréDe julho a outubroBaleias-de-bossaDe barco, a partir da praia da cidade
Fernando de NoronhaTodo o anoGolfinhosDo miradouro, a entrada na água está vedada
PipaTodo o anoGolfinhosDas falésias, sem barco

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Comida: quatro refeições por dia e regiões diferentes

A cozinha brasileira vai além da carne no espeto e muda bastante de região para região. No Sul aprecia-se a carne, no Nordeste o cuscuz e as tapiocas com queijo, na Amazónia o peixe e o açaí. O habitual é começar pelos pãezinhos de queijo pão de queijo de uma padaria, pela feijoada de feijão preto com carne e pelo churrasco, carne na brasa. No litoral juntam-se a moqueca, peixe ou camarão em leite de coco, e os bolinhos fritos de acarajé das bancas de rua da Bahia.

Moqueca de camarão em panela de ferro fundido
Moqueca de camarão em panela de ferro fundido. Foto: BR, CC BY-SA

Dois pontos práticos. Os brasileiros almoçam a meio do dia, e muitas casas só abrem a essa hora, muitas vezes cobrando pelo peso do prato. Janta-se tarde e os restaurantes não têm um horário comum, por isso convém confirmar as horas de abertura com antecedência. Nos restaurantes de rodízio, os empregados levam a carne às mesas até ser o próprio cliente a parar o serviço.

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Voos, estradas e transportes nas cidades

Da Europa voa-se para São Paulo e para o Rio de Janeiro em voos diretos e com escala: as ligações mais cómodas passam por Lisboa, Madrid, Francoforte, Paris e Roma. Os voos internacionais para o Rio chegam ao aeroporto do Galeão, a cerca de vinte quilómetros a norte do centro. Para Copacabana e Ipanema vai-se de táxi ou através de uma aplicação e, com o trânsito do fim da tarde, o percurso passa facilmente de uma hora.

Elétrico amarelo de Santa Teresa com passageiros
Elétrico amarelo de Santa Teresa com passageiros. Foto: Dennis G. Jarvis, CC BY-SA

Dentro do país, o transporte principal é o avião. O caminho de ferro é sobretudo de mercadorias e nas estradas vigoram limites de velocidade apertados, pelo que as deslocações por terra são demoradas. Entre as grandes cidades voam, entre outras, as companhias de baixo custo GOL e Azul. Nas cidades é mais seguro andar de táxi e de Uber, sobretudo à noite; no Rio, o metro é prático entre as praias e o centro.

O aluguer de carro justifica-se onde os transportes públicos são fracos: na ilha de São Francisco do Sul, no caminho de Fortaleza para Preá, nos passeios pelo estado do Rio até Paraty ou Petrópolis.

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Quando ir: estações ao contrário e regiões diferentes

O Brasil fica no hemisfério sul, por isso as estações são opostas às europeias: o verão vai de dezembro a março e o inverno cai em junho, julho e agosto. Não existe um único melhor mês para todo o país, as datas escolhem-se em função da região. A época alta no litoral corresponde a dezembro, janeiro, fevereiro e março: calor, humidade, muita gente e preços altos. Para visitar o Rio são mais indicados maio e junho ou setembro e outubro.

Fatos e carros alegóricos no Carnaval do Rio
Fatos e carros alegóricos no Carnaval do Rio. Foto: Sergio Luiz, CC BY

A Amazónia planeia-se para a estação seca, mais ou menos de julho até ao fim do ano, embora na floresta chova o ano inteiro. No litoral do Nordeste, o período mais seco vai de agosto a dezembro, e o pico da chuva cai em março e abril. O Sul é quente de novembro a março. Ao Pantanal vai-se pelos animais de maio a setembro, ao Iguaçu pelo tempo agradável de março a junho e pelo maior caudal de dezembro a março.

Os dois grandes acontecimentos estão ligados ao verão. A Passagem de Ano no Rio celebra-se na praia de Copacabana, de roupa branca, e o Carnaval realiza-se antes da Quaresma, normalmente em fevereiro, com datas que mudam todos os anos.

Quando ir ao Brasil: meses por região
RegiãoMelhores mesesO que ter em conta
Rio de JaneiroMaio e junho, setembro e outubroDe dezembro a março há calor, humidade, muita gente e preços altos
AmazóniaEstação seca a partir de julhoCalor e humidade todo o ano, nos meses de chuva os trilhos ficam enlameados
Litoral do NordesteDe agosto a dezembroPico da chuva em março e abril
SulDe novembro a marçoNo inverno as noites são frescas e o oceano está frio
PantanalDe maio a setembroNa época das chuvas as estradas de terra ficam alagadas
Cataratas do IguaçuDe março a junhoMais água de dezembro a março, mas com calor e filas

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Orçamento: como calcular o seu valor

No Brasil, há três coisas que pesam mais do que tudo no total: as datas, o número de voos internos e o formato das saídas para a natureza. A Passagem de Ano, o Carnaval, a Semana Santa e as férias escolares fazem subir os preços do alojamento e dos voos; na época baixa, de maio a setembro, os hotéis do litoral ficam mais baratos.

Cada região a mais significa mais um voo, e um safari no Pantanal ou um programa num lodge amazónico calcula-se em pacote com alojamento, guia e transporte, com grandes diferenças entre operadores. Por isso, aqui não está um número, mas uma calculadora: separa alojamento, alimentação, transportes, bilhetes de entrada, viagem de ida e volta e reserva, e mostra qual a parcela que puxa o seu total para cima.

Calcular o orçamento da viagem ao Brasil

Roteiros: a primeira viagem e as seguintes

Numa viagem curta cabe uma cidade, e normalmente é o Rio de Janeiro. Para os locais principais chegam três dias: o Corcovado e o Pão de Açúcar, o centro histórico com Santa Teresa e a Escadaria Selarón, a praia e o Jardim Botânico. Uma semana permite juntar as cataratas do Iguaçu, e em duas semanas cabe ainda a Amazónia com Manaus.

Vista do Pão de Açúcar e da baía
Vista do Pão de Açúcar e da baía. Foto: Arne Müseler, CC BY-SA

Para uma segunda viagem há outras combinações. São Paulo com uma ida à serra, a Campos do Jordão. O Sul com o estado de Santa Catarina, onde Joinville e a ilha de São Francisco do Sul ficam lado a lado. O Nordeste com Fortaleza, Preá e as dunas. Uma viagem à parte ao Pantanal, onde se entra pelo norte, por Cuiabá, ou pelo sul, por Campo Grande.

Uma regra que protege o plano: não sobrecarregue uma viagem curta com voos internos e deixe um dia de reserva onde tudo depende do tempo, junto às cataratas, no safari ou antes de uma saída de barco.

Quantos dias e o que cabe
DuraçãoO que cabe
Três diasRio de Janeiro: Corcovado, Pão de Açúcar, centro com Santa Teresa, praia e Jardim Botânico
Uma semanaRio de Janeiro e as cataratas do Iguaçu, para as quais se contam dois dias
Duas semanasRio, Iguaçu e a Amazónia com Manaus, que leva cerca de três dias; o resto do tempo vai em voos

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Na prática: documentos, segurança, comunicações

Segundo os nossos artigos, os cidadãos da Alemanha e da maioria dos países da UE não precisam de visto para uma viagem turística até 90 dias; na fronteira pedem um passaporte válido e o bilhete de regresso. Para outros passaportes e para estadias mais longas, confirme as regras no site do consulado do Brasil antes de comprar os bilhetes. Se a Amazónia fizer parte do plano, esclareça com antecedência junto do médico a questão das vacinas.

Nas grandes cidades, o nível de criminalidade é elevado. Não ande com o telemóvel na mão na rua, não leve objetos de valor para a praia, à noite desloque-se de táxi ou de Uber e fique em bairros tranquilos. No país fala-se português, e o inglês é pouco dominado, mesmo nos hotéis.

Confirme as condições de roaming junto do seu operador antes da viagem; um eSIM dá uma forma de reserva para ter internet desde o primeiro minuto, porque um número local não se obtém sem o número fiscal CPF. Os cuidados médicos para um turista no Brasil são caros, por isso faça o seguro antes de partir e leia o que cobre ao certo.

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Perguntas frequentes sobre a viagem ao Brasil