
Shavkat Mirziyoyev: o que mudou no Uzbequistão desde 2016
Shavkat Mirziyoyev assumiu a liderança do Uzbequistão no final de 2016. Em poucos anos, o país abriu as fronteiras, levantou as restrições cambiais e mudou o tom da política externa. Nota-se a mudança até nas pequenas coisas: a taxa de câmbio do som, o regime de vistos, a liberdade de imprensa.
Este artigo explica o que mudou exatamente com Mirziyoyev, que setores foram prioritários e como as organizações internacionais avaliam as reformas. Mais abaixo encontra uma tabela com o PIB real, as principais direções das reformas e alguns factos breves sobre o próprio presidente.
Quem é Shavkat Mirziyoyev
💡 Em resumo:
- Shavkat Mirziyoyev nasceu a 24 de julho de 1957 na região de Jizzakh, no Uzbequistão.
- Entre 1996 e 2001 foi khokim da região de Jizzakh, entre 2001 e 2003 chefiou a região de Samarcanda e, de 2003 a 2016, exerceu o cargo de primeiro-ministro.
- Venceu as eleições a 4 de dezembro de 2016, tomou posse a 14 de dezembro e foi reeleito para um novo mandato em 2023.
- PIB do Uzbequistão em dólares correntes, 2017-2024: 10/2026, segundo o Banco Mundial.
Antes da presidência, Mirziyoyev trabalhou no poder executivo durante quase vinte anos. Segundo o site oficial do chefe de Estado do Uzbequistão, nasceu a 24 de julho de 1957 no distrito de Zaamin, na região de Jizzakh. Iniciou a carreira em Tashkent e tornou-se chefe da região de Jizzakh em 1996.
Mirziyoyev foi primeiro-ministro durante treze anos. Após a morte do presidente Islam Karimov, em setembro de 2016, o parlamento atribuiu-lhe temporariamente as funções de chefe de Estado (segundo o portal estatal do Uzbequistão). Venceu as eleições a 4 de dezembro de 2016, tomou posse a 14 de dezembro e foi reeleito em eleições antecipadas em 2023. Se acompanha a política da Ásia Central, esta biografia explica o seu estilo: um aparatchik prudente que altera as regras com rapidez.
Principais reformas: da economia à cultura
Mirziyoyev chamou ao seu programa «Novo Uzbequistão». Prometeu uma economia aberta, tribunais independentes e um regresso à cultura nacional. Muitas das decisões notam-se logo nos primeiros dois anos no poder.
Reforma cambial
A mudança mais visível dizia respeito ao dinheiro. Em setembro de 2017, o Banco Central unificou as duas taxas de câmbio do som e deixou-o flutuar livremente. Segundo os investigadores do ISDP, as restrições à conversão de moeda para cidadãos e empresas foram levantadas ao mesmo tempo. Antes da reforma, a troca fazia-se a uma taxa fixa, pelo que as empresas perdiam dinheiro em cada transação.
À liberalização seguiram-se outras medidas. Os investidores passaram a enfrentar menos barreiras administrativas e as startups receberam incentivos fiscais. O registo foi simplificado para as pequenas empresas.
Agricultura
No setor agrícola, o foco foi colocado nas novas tecnologias e na formação da mão de obra. Foram oferecidos aos agricultores programas de formação em métodos modernos e apoio a uma produção respeitadora do ambiente. É assim que as autoridades pretendem aumentar a produtividade sem agravar a pressão sobre o solo.
Educação
O Uzbequistão reformou o seu sistema de ensino com ênfase na tecnologia. O ensino à distância chegou às zonas rurais e as universidades assinaram acordos com instituições estrangeiras. Os estudantes ganharam acesso a programas de intercâmbio.
Cultura e artes
Com Mirziyoyev, começou uma nova etapa no desenvolvimento da cultura nacional. O Estado apoiou jovens realizadores, atores, escritores e poetas. Abriram novos museus e galerias, e as exposições internacionais tornaram-se regulares. O teatro, o cinema e a literatura regressaram ao centro da agenda cultural.
Mirziyoyev no palco internacional
A política externa com Mirziyoyev tornou-se mais ativa. O Uzbequistão restabeleceu contactos com os vizinhos e saiu do isolamento regional. O país está a desenvolver relações com a China, a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia.
Um episódio notável está ligado à Alemanha. Em Berlim, Mirziyoyev reuniu-se com o chanceler Olaf Scholz e debateu projetos bilaterais. O jornal alemão Berliner Zeitung, numa reportagem sobre a visita à Alemanha do presidente do Uzbequistão, escreveu também sobre o referendo constitucional no país.
Se pretende avaliar a política externa, preste atenção a dois factos. O Uzbequistão colabora com a ONU e o Banco Mundial, e as suas iniciativas de paz na Ásia Central receberam reconhecimento internacional.
A economia em números: crescimento do PIB
O PIB nominal do Uzbequistão passou de 72 para 121 mil milhões de dólares em sete anos. São dados do Banco Mundial em dólares americanos correntes.
Ano | PIB, mil milhões de $ | Nota |
|---|---|---|
2017 | 72,3 | desvalorização do som |
2019 | 70,2 | após a desvalorização |
2021 | 81,2 | recuperação pós-pandemia |
2022 | 94,3 | crescimento das exportações |
2023 | 107,5 | crescimento do investimento |
2024 | 121,4 | máximo histórico |
A queda de 2017 explica-se facilmente. A liberalização cambial eliminou a taxa oficial inflacionada, pelo que a avaliação em dólares desceu. A produção não diminuiu. Desde 2021, o valor cresce todos os anos e, em 2024, é quase 1,7 vezes superior ao de 2017.
Direitos humanos e reforma judicial
O tema dos direitos humanos exige rigor. A pena de morte foi abolida no Uzbequistão a 1 de janeiro de 2008, ainda com Islam Karimov. A Amnistia Internacional apontou o país como o 135.º do mundo a abandonar a pena capital.
Mirziyoyev prosseguiu esta linha por outros meios. O parlamento reformou a lei eleitoral e apoiou o multipartidarismo. Um serviço de provedoria começou a funcionar para proteger os direitos dos cidadãos, e o sistema judicial começou a mudar no sentido de maior independência e transparência.
As avaliações divergem, porém. As fontes oficiais falam de progresso, ao passo que os observadores independentes apontam um ritmo lento. Se comparar relatórios, atente na data de publicação e na metodologia, não nos títulos.
⁉️🤔 Perguntas frequentes
Quando se tornou Shavkat Mirziyoyev presidente do Uzbequistão?
O parlamento atribuiu-lhe as funções de chefe de Estado em setembro de 2016, após a morte de Islam Karimov. Mirziyoyev venceu as eleições a 4 de dezembro de 2016 e tomou oficialmente posse a 14 de dezembro. Foi reeleito em eleições antecipadas em 2023. O mandato presidencial é de sete anos (segundo o site oficial da presidência).
Quais são consideradas as principais reformas de Mirziyoyev?
As mais visíveis dizem respeito à economia: a liberalização cambial de 2017 e o levantamento das restrições à conversão. A isto somam-se a simplificação para os investidores, o apoio às pequenas empresas, os intercâmbios com universidades estrangeiras e o renascimento da cultura nacional. Se comparar programas de anos diferentes, atente na taxa de câmbio e nas condições fiscais (segundo o ISDP).
Como evoluiu o PIB do Uzbequistão com Mirziyoyev?
Segundo o Banco Mundial, o PIB nominal do país passou de 72 mil milhões de dólares em 2017 para 121 mil milhões em 2024. A queda de 2017 deveu-se à desvalorização do som, não a uma redução da produção. Em termos de dólares, a economia cresceu cerca de 1,7 vezes em sete anos.
Aboliu Mirziyoyev a pena de morte?
Não. A pena capital foi abolida no Uzbequistão a 1 de janeiro de 2008, ainda com Islam Karimov. A Amnistia Internacional aponta o país como um dos 135 que abandonaram a pena de morte. Mirziyoyev deu continuidade ao rumo dos direitos humanos com outras decisões, mas a abolição não lhe pode ser atribuída.
O que significa «Novo Uzbequistão»?
«Novo Uzbequistão» é o nome oficial do programa de reformas de Mirziyoyev, adotado em 2017. Combina uma economia aberta, tribunais independentes e o renascimento das tradições nacionais (segundo o portal estatal do Uzbequistão). O próprio presidente define o seu objetivo como a construção de um Estado onde cada cidadão sinta que contribui para o desenvolvimento do país.
Em resumo: como avaliar as reformas
Ao avaliar as reformas de Mirziyoyev, analisam-se três aspetos. Primeiro: a macroeconomia, em que o PIB passou de 72 para 121 mil milhões de dólares em sete anos (dados do Banco Mundial). Segundo: as instituições, porque a reforma judicial e o serviço de provedoria estão a mudar as regras para as empresas e os cidadãos. Terceiro: a abertura, porque as fronteiras, a moeda e os contactos externos se tornaram mais livres.
Para além disso, tudo depende dos seus interesses. Se a economia lhe interessa, acompanhe a taxa de câmbio do som e a entrada de investimento. Se os direitos humanos lhe interessam, leia as decisões dos tribunais e os relatórios da provedoria. Se a cultura lhe interessa, siga a programação dos novos museus e festivais. Confirme os números em fontes oficiais, não em resumos nas redes sociais.


