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Kremlin de Moscovo: porque removemos estes guias

Kremlin de Moscovo: porque removemos estes guias

Os seis guias que antes estavam neste endereço desapareceram. Abrangiam o Grande Palácio do Kremlin, o Fundo Diamantífero, a Catedral do Arcanjo, o Campanário de Ivan, o Grande, a Torre Spasskaya e uma visão geral de vinte e três «lugares mais interessantes» dentro das muralhas.

Uma resposta breve para quem chegou aqui à procura de uma lista de pontos de interesse. O Kremlin deixou de ser um objeto de museu para nós não porque a sua arquitetura tenha mudado, mas porque é a sede efetiva do poder de um Estado que trava uma guerra contra a Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022. Já não publicamos textos turísticos sobre este endereço e não oferecemos alternativas.

💡 Em resumo:

  • que seis artigos foram removidos e para onde apontam agora os antigos links
  • que decisões foram tomadas sobre este endereço e como estão documentadas
  • o que exatamente decidiu o Tribunal Penal Internacional e porque é que um mandado de detenção não é uma condenação
  • que cidades com conjuntos palacianos permanecem nas nossas secções ativas
  • Última atualização: 09/2026

Porque eliminámos estes guias

Removemos seis artigos, e todos eles estavam estruturados da mesma forma: história do local, fotografias, horários de visita, como chegar. Os antigos endereços em todas as versões linguísticas têm agora redirecionamentos permanentes para este texto, para que um leitor que chegue a partir de uma pesquisa não aterre numa página vazia, mas numa explicação.

A razão não é o facto de o material ter ficado desatualizado. A razão é o género. Um guia do Kremlin mostra ao leitor não uma fortaleza do século XV, mas um núcleo administrativo efetivo de um Estado, e fá-lo num tom de passeio de fim de semana. Consideramos esse tom impossível depois de fevereiro de 2022, e é por isso que removemos os textos por completo em vez de lhes acrescentarmos uma advertência.

A parte financeira do argumento deve ser enunciada com precisão, porque a versão corrente está errada. O peso das receitas do petróleo e do gás no orçamento federal russo caiu para cerca de 22 por cento em 2025 e 2026, contra 42 por cento em 2022 (OSW Centre for Eastern Studies, 09.12.2025). A frase «o dinheiro do turismo vai para o petróleo e o gás» não descreve a realidade. Outra frase descreve-a: o peso das receitas não petrolíferas nem de gás, que incluem impostos dos setores dos serviços e do comércio, cresceu para cerca de 78 por cento, e os gastos dos visitantes estrangeiros recaem precisamente nessa parte do orçamento.

O endereço onde se tomam as decisões

O nosso texto anterior descrevia o Kremlin como um conjunto de catedrais, palácios e torres. Não descrevia o que mais lá existe: o aparelho que toma decisões do tipo das abordadas em resoluções da Assembleia Geral da ONU.

Em 12 de outubro de 2022, a Assembleia Geral, por 143 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções, adotou a resolução ES-11/4: a tentativa de anexação das regiões ucranianas de Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson foi declarada sem qualquer validade jurídica (comunicado de imprensa da ONU GA/12458, 12.10.2022). Antes, em 2 de março de 2022, a mesma Assembleia, na resolução ES-11/1, exigiu que a Rússia cessasse imediatamente a sua invasão e retirasse incondicionalmente todas as forças armadas do território da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas (comunicado de imprensa da ONU GA/12407, 02.03.2022). Essa exigência não foi cumprida.

A mesma cidade é também a origem de decisões que afetam pessoas nos territórios da Ucrânia temporariamente ocupados pela Rússia. Em 29 de setembro de 2016, o Supremo Tribunal da Federação Russa confirmou a proibição do Mejlis do povo tártaro da Crimeia, declarado «organização extremista» (Human Rights Watch, 29.09.2016). Essa decisão foi tomada não na península, mas aqui, a curta distância do percurso que outrora oferecíamos aos leitores como um agradável passeio.

O mandado do Tribunal Penal Internacional

Em 17 de março de 2023, a Secção de Instrução II do Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de detenção contra o presidente russo Vladimir Putin e a comissária presidencial para os Direitos da Criança, Maria Lvova-Belova, por suspeita do crime de guerra de deportação ilegal de população (crianças) e transferência ilegal de população (crianças) de zonas ocupadas da Ucrânia para a Federação Russa, ao abrigo dos artigos 8(2)(a)(vii) e 8(2)(b)(viii) do Estatuto de Roma (ONU News, 17.03.2023). Um mandado é uma decisão processual, não uma condenação: o artigo 66 do Estatuto de Roma consagra a presunção de inocência, e é exatamente essa a formulação que usamos.

Dois dias depois de os mandados terem sido emitidos, em 19 de março de 2023, Vladimir Putin visitou Mariupol, cidade ocupada (NPR, 19.03.2023).

A escala por trás da formulação do mandado é conhecida a partir de duas fontes independentes. Segundo a base de dados nacional ucraniana «Crianças da Guerra», desde fevereiro de 2022 pelo menos 20 000 crianças ucranianas foram levadas de territórios ocupados para a Rússia ou para territórios sob o seu controlo, e pouco mais de 2 100 foram devolvidas (plataforma Crianças da Guerra). O Humanitarian Research Lab da Yale School of Public Health documentou pelo menos 210 instalações na Rússia e em territórios temporariamente ocupados onde estas crianças foram colocadas; em mais de metade delas, 62,9 por cento, as crianças foram sujeitas a «reeducação» (Yale School of Public Health).

Citamos isto não para ligar uma catedral específica dentro das muralhas a uma decisão específica. Citamos porque um guia de uma sede de poder tem a obrigação de mencionar, pelo menos, o que esse poder está a fazer, e o formato «história, fotografias, como chegar» não consegue suportar essa menção.

O que isto significa para si, leitor da UE

Item

Estado 09/2026

Fonte

Serviços relacionados com o turismo na Rússia

Proibidos pelo artigo 5.º‑N, n.º 2, do Regulamento 833/2014, com a redação que lhe foi dada pelo Regulamento 2025/2033, de 23.10.2025

EUR-Lex

Período transitório

Para os contratos celebrados antes de 24.10.2025, terminou em 01.01.2026

Skadden, 11.2025

Âmbito da proibição

Serviços de agências de viagens e de operadores turísticos, serviços de guias e publicidade a esses serviços

Skadden, 11.2025

Aviso do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão

«Vor Reisen in die Russische Föderation wird gewarnt»

Auswärtiges Amt

Risco de detenção arbitrária

O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão alerta para este risco no caso dos cidadãos alemães e das pessoas com dupla nacionalidade alemã e russa

Auswärtiges Amt

Para um editor na União Europeia, isto significa uma coisa simples: um texto que descreve um percurso pelas catedrais do Kremlin, com horários de abertura e preços dos bilhetes, está mais próximo da lista de serviços proibidos do que de história local neutra. Não queremos testar essa fronteira por nós próprios, nem aconselhamos os leitores a testá-la.

Onde ir em alternativa

A pergunta com que os leitores chegavam a estes textos era sobre uma residência fortificada no centro da capital, salas de Estado e uma coleção de armaria. As secções ativas do site respondem a essa pergunta: a Chéquia, com Praga e o Castelo de Praga, a Áustria, com Viena, a Hungria, com Budapeste, e a Alemanha, com Berlim e Potsdam. Para quem procura insígnias reais e tesouros, os nossos materiais mais próximos estão nas secções da Áustria e da Alemanha. Por exemplo, o artigo sobre o Schatzkammer de Viena.

A explicação geral de toda a secção está reunida no centro da secção. Textos relacionados: a nossa posição sobre a Praça Vermelha e o GUM e a nossa posição sobre percursos e visitas guiadas em Moscovo.

Onde nos posicionamos

Consideramos que um guia sobre um centro ativo de poder não é história local, mas sim uma forma de participar na sua normalização. Na nossa avaliação, a distinção entre «uma fortaleza como monumento» e «uma fortaleza como endereço» deixou de ser académica depois de fevereiro de 2022, e nenhum valor arquitetónico do local elimina esse facto. Decidimos retirar os seis artigos e explicar o motivo no mesmo endereço, em vez de os deixar com uma nota no fundo da página.

Escrevemos sobre um Estado e as suas políticas, não sobre pessoas com base no seu passaporte. Há pessoas na Rússia que se manifestaram contra a guerra e foram condenadas a penas de prisão por isso. A nossa decisão de não publicar guias sobre a Rússia prende-se com dinheiro, sanções e segurança dos leitores, não com nacionalidade.

Data de publicação: 3 de setembro de 2026. Última atualização: 3 de setembro de 2026.

⁉️🤔 Perguntas frequentes

O Kremlin é um monumento da UNESCO, a arquitetura e a política não são coisas diferentes?

Formalmente são diferentes, e não negamos isso. Mas o género do guia de viagem não é um ensaio de arquitetura, é um convite a ir e gastar dinheiro. Retirámos o convite, não a história. O enquadramento legal para uma pessoa da UE está descrito na secção «O que isto significa para si enquanto leitor da UE».

Está a chamar criminoso de guerra ao presidente da Rússia?

Não, e isso é uma questão de princípio. Escrevemos apenas o que consta do documento processual: a 17 de março de 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de detenção por suspeita de crimes de guerra específicos. Um mandado não é uma condenação. Os artigos do Estatuto de Roma são citados na secção «Mandado do Tribunal Penal Internacional».

Um cidadão alemão pode visitar o Kremlin?

Não prestamos aconselhamento de viagem e, deliberadamente, não descrevemos quaisquer procedimentos. Podemos apenas indicar as posições oficiais: o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão desaconselha viagens à Federação Russa e alerta para o risco de detenção arbitrária de cidadãos alemães e de pessoas com dupla nacionalidade.

Porque é que o endereço antigo leva aqui em vez de a uma página «não encontrada»?

Porque responder ao leitor é mais honesto do que mostrar uma página vazia. Recebe uma explicação, uma lista de documentos e uma lista de destinos sobre os quais continuamos a escrever.

Em resumo

Foram retirados seis guias sobre o Kremlin de Moscovo, e os endereços antigos reencaminham para este texto. A base não é apenas editorial: desde 25 de outubro de 2025, a UE tem uma proibição direta de serviços relacionados com atividades turísticas na Rússia, incluindo a sua publicidade. O dia 1 de janeiro de 2026 marcou apenas o fim do período transitório para os contratos antigos. O mesmo endereço reflete também as decisões registadas na resolução ES-11/4 da Assembleia Geral da ONU e no mandado do Tribunal Penal Internacional de 17 de março de 2023. As cidades com conjuntos palacianos sobre as quais continuamos a escrever estão indicadas acima.

Como pode ajudar

Não recolhemos dinheiro e não recebemos nada dos links abaixo. São sites oficiais de organizações que trabalham com as consequências da guerra:

Fontes

Data de verificação dos links: 03.09.2026.