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Porque já não publicamos guias de viagem para a Rússia

Porque já não publicamos guias de viagem para a Rússia

Esta página já não existe na sua forma anterior. Em setembro de 2026, a equipa editorial removeu do site todos os guias sobre a Rússia, a Crimeia ocupada e a Abecásia: 237 artigos e 26 secções em todas as versões linguísticas.

Uma resposta curta à pergunta com que as pessoas costumam chegar aqui. Organizar uma viagem à Rússia tal como os nossos textos anteriores descreviam, através de agências de viagens e serviços sediados na União Europeia, não é atualmente possível: desde 1 de janeiro de 2026 existe uma proibição direta de serviços diretamente relacionados com atividades turísticas na Rússia, incluindo a publicidade a tais serviços. A proibição aplica-se aos serviços turísticos, não à viagem em si. Ao mesmo tempo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão desaconselha viagens ao país. Não publicamos instruções sobre como contornar esta disposição.

💡 Em resumo:

  • o que exatamente removemos e em que volume
  • em que documentos se baseia a decisão: resoluções da ONU, legislação de sanções da UE, avisos de viagem oficiais
  • porque não construímos o argumento de que «o dinheiro do turista financia a guerra» com base no petróleo e no gás
  • para onde ir em alternativa e onde encontrar estes materiais no site
  • Última atualização: 09/2026

Porque eliminámos estes guias

Não eliminámos artigos individuais, removemos uma secção inteira. Todos os materiais e categorias foram retirados do catálogo: a Rússia como um todo, incluindo cidades, hotéis, rotas e excursões, mais as categorias da Crimeia ocupada e da Abecásia. Todos os URLs antigos têm agora redirecionamentos permanentes para artigos desta secção, para que um leitor que chegue a partir de uma pesquisa ou através de um link antigo não aterre numa página vazia, mas numa explicação.

A razão não é que os materiais tenham ficado desatualizados. A razão é que a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, alterou tanto o quadro legal em que opera um editor sediado na UE como o próprio significado do género. Um guia de viagens não é uma descrição neutra. É um convite a gastar dinheiro num determinado país e uma sugestão para o considerar um destino de férias normal. Não fazemos essa sugestão sobre a Rússia hoje.

A segunda camada da razão é financeira, e vale a pena enunciá-la com precisão, porque a versão comum está incorreta. O peso das receitas do petróleo e do gás no orçamento federal russo caiu para cerca de 22 por cento em 2025 e 2026, contra 42 por cento em 2022, pelo que a afirmação de que «o turista paga a renda do petróleo» não se sustenta (análise do orçamento de 2026, Centre for Eastern Studies OSW, 09.12.2025). O oposto é verdadeiro: o peso das receitas não petrolíferas nem de gás, que incluem o IVA e o imposto sobre o rendimento das sociedades do setor dos serviços, cresceu para cerca de 78 por cento. O consumo interno tornou-se relativamente mais significativo para o orçamento do que antes da guerra, e os gastos de um visitante estrangeiro acabam exatamente aí.

Documentos em que nos baseamos

A nossa posição baseia-se não em sentimentos, mas em decisões de organismos internacionais, cada uma das quais tem um número e uma data.

A Assembleia Geral da ONU adotou a resolução ES-11/1 «Agressão contra a Ucrânia» a 2 de março de 2022, com 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções; a resolução exige o fim imediato da invasão e a retirada incondicional de todas as tropas do território da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas (comunicado de imprensa da ONU GA/12407, 02.03.2022). A 12 de outubro de 2022, a mesma Assembleia adotou a resolução ES-11/4 com 143 votos: a tentativa de anexação das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson foi declarada sem qualquer validade jurídica (comunicado de imprensa da ONU GA/12458, 12.10.2022).

O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de detenção a 17 de março de 2023 contra o presidente russo Vladimir Putin e a comissária presidencial para os Direitos da Criança, Maria Lvova-Belova, por suspeita do crime de guerra de deportação ilegal de população (crianças) e transferência ilegal de população (crianças) de territórios ocupados da Ucrânia para a Federação Russa, artigos 8(2)(a)(vii) e 8(2)(b)(viii) do Estatuto de Roma (ONU News, 17.03.2023). Um mandado é uma decisão processual, não uma sentença: o artigo 66 do Estatuto de Roma estabelece a presunção de inocência, e é exatamente a essa formulação que nos cingimos.

O Parlamento Europeu, na sua resolução de 23 de novembro de 2022 (P9_TA(2022)0405), por 494 votos contra 58 e 44 abstenções, designou a Rússia como Estado patrocinador do terrorismo e Estado que utiliza meios de terrorismo; o próprio texto da resolução, no entanto, afirma que o direito da UE em vigor não prevê um mecanismo para tal designação (texto adotado, Parlamento Europeu). Apresentamos esta designação tal como é: como a posição do parlamento, não como o estatuto jurídico do Estado.

Por fim, a 16 de março de 2022, o Comité de Ministros, pela resolução CM/Res(2022)2, expulsou a Federação Russa do Conselho da Europa, a primeira vez na história da organização (Conselho da Europa, 16.03.2022), e a 16 de setembro de 2022 a Rússia deixou de ser parte na Convenção Europeia dos Direitos Humanos (Conselho da Europa). Para o leitor isto não é uma abstração: uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sobre acontecimentos que ocorrem hoje na Rússia é impossível.

O que se sabe sobre a situação dentro do país

Não escrevemos sobre os residentes da Rússia enquanto grupo, mas temos de nomear o que está a acontecer às instituições cívicas, porque isso afeta diretamente a segurança de quem visita o país. Segundo a Human Rights Watch, 343 organizações foram declaradas «indesejáveis» na Rússia, e 1 173 entidades e pessoas constam do registo de «agentes estrangeiros» (World Report 2026, secção Rússia). Em 2026, um tribunal russo classificou como «extremista» a organização de direitos humanos Memorial, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2022 (Al Jazeera, 04/08/2026). Em abril de 2026, peritos da ONU declararam que a estratégia de abusar da legislação antiterrorismo e antiextremismo para destruir a sociedade civil russa tem de parar (OHCHR, 04/09/2026).

O que isto significa para si se estiver na UE ou nos EUA

Segue-se o que se aplica diretamente ao seu caso, sem conselhos e sem instruções.

Item

Situação em 09/2026

Fonte

Serviços relacionados com turismo na Rússia

Proibidos pelo artigo 5.º‑N, n.º 2, do Regulamento 833/2014, alterado pelo Regulamento 2025/2033, de 23/10/2025; o período transitório terminou em 01/01/2026

EUR-Lex

O que a proibição abrange

Serviços de agências de viagens e de operadores turísticos, serviços de guias e serviços publicitários conexos

Skadden, 11/2025

Reservas e venda de bilhetes em linha

A proibição aplica-se também às plataformas e à assistência a vistos quando esta esteja ligada ao turismo

Fieldfisher

Aviso do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão

«Vor Reisen in die Russische Föderation wird gewarnt»

Auswärtiges Amt

Aviso do Departamento de Estado dos EUA

Nível 4: não viajar, reemitido em 29/12/2025

travel.state.gov

Cartões de pagamento

A Visa e a Mastercard anunciaram a suspensão das operações na Rússia em março de 2022; os cartões emitidos fora da Rússia não funcionam lá

The Moscow Times, 06/03/2022

Separadamente, quanto ao objetivo declarado da proibição: está formulado de modo direto e diz respeito a dinheiro. Trata-se de reduzir as receitas que a Rússia obtém com estes serviços e de travar a promoção de viagens não essenciais e de lazer no país (Skadden, 11/2025). Por outras palavras, o legislador da UE reconheceu explicitamente o turismo como fonte de receita estatal, e não como uma atividade neutra.

Um contra-argumento honesto e a nossa resposta a ele

A objeção a qualquer boicote às viagens é bem conhecida e merece uma resposta em vez de silêncio: recusar viajar prejudica pessoas comuns, hotéis privados e guias, não o governo visado pelo protesto. Este argumento é analisado por investigadores de campanhas de consumidores, e não foi inventado pelos nossos opositores (Ethical Consumer).

Para nós, resolve-se de forma diferente do que para um apoiante de um boicote voluntário. Não estamos a escolher entre «ir» e «não ir»: para uma pessoa da UE, prestar serviços relacionados com turismo na Rússia é diretamente proibido. A questão de «boicotar ou não» não se coloca legalmente para um editor sediado na União Europeia. Acrescente-se um dado de mercado: o turismo organizado para a Rússia caiu cerca de 90 por cento já em 2022 (panorâmica de estatísticas do setor, Fox News, 2022), e mais de mil marcas encerraram ou restringiram as suas operações no país (Ethical Consumer).

Para onde ir em vez disso

Não estamos a preparar um «substituto da Rússia», porque um país não é uma linha de produtos. Mas as perguntas que levaram os leitores aos textos apagados não desapareceram, e o site tem secções ativas que lhes respondem: Chéquia, Polónia, Finlândia, Áustria, Hungria, Geórgia, Arménia, Turquia, Bulgária, Montenegro, Grécia e Chipre. Para arquitetura imperial e conjuntos palacianos, isso significa Viena, Praga e Budapeste; para o Báltico e o Norte, Helsínquia e a costa polaca; para o mar e umas férias de praia, as costas do Mar Negro e do Mediterrâneo de países da UE e da Turquia; para o Cáucaso, a Geórgia e a Arménia.

Dentro desta secção encontram-se textos detalhados sobre temas específicos: a nossa posição sobre os transportes em Sochi, sobre as férias de verão em Sochi, sobre os hotéis de Sochi, sobre a Abecásia, sobre a Praça Vermelha e o centro de Moscovo, sobre os hotéis de São Petersburgo, sobre os itinerários em São Petersburgo e sobre o estatuto jurídico da Crimeia.

A nossa posição

Consideramos que publicar guias de viagem sobre um país que trava uma guerra contra um Estado vizinho equivale a promover esse país como destino de férias. Na nossa avaliação, nenhum valor arquitetónico ou natural de um lugar se sobrepõe a isto, e nenhuma nota de isenção de responsabilidade no final de um texto transforma material promocional em cobertura neutra. Por isso, decidimos não guardar estes textos «para melhores dias», mas removê-los e explicar porquê no mesmo endereço.

Falamos de um Estado e das suas políticas, não de pessoas com base no passaporte. Há pessoas na Rússia que se manifestaram contra a guerra e foram condenadas a penas de prisão por isso. A nossa decisão de não publicar guias de viagem sobre a Rússia diz respeito a dinheiro, sanções e segurança dos leitores, não à nacionalidade.

Data de publicação: 3 de setembro de 2026. Última atualização: 3 de setembro de 2026.

⁉️🤔 Perguntas frequentes

Isto significa que estão contra a cultura russa?

Não. Removemos guias de viagem, ou seja, materiais que sugerem ir a um lugar e gastar dinheiro. Textos sobre literatura, música e história não se enquadram nessa categoria, e a proibição da UE em questão aplica-se a serviços relacionados com o turismo, não à cultura.

Um cidadão da UE pode sequer entrar na Rússia?

Não prestamos consultoria sobre entrada e, deliberadamente, não descrevemos quaisquer procedimentos. Podemos apenas citar as posições oficiais da tabela acima: o Departamento de Estado dos EUA mantém um aviso de Nível 4 «Não viajar», e os cartões Visa e Mastercard emitidos fora da Rússia não funcionam lá.

Porque é que os links antigos levam aqui em vez de a uma página «não encontrada»?

Porque é mais honesto responder à pergunta do que mostrar uma página vazia. Um leitor à procura de pontos turísticos ou hotéis recebe uma explicação, documentos e uma lista de destinos para os quais temos materiais atuais.

Vão repor estes textos se a guerra terminar?

Não fazemos tal promessa e não vinculamos nada a uma data. A decisão será reexaminada quando os seus fundamentos mudarem: o quadro jurídico da UE, os avisos oficiais de viagem e as posições dos organismos que citamos no bloco de fontes.

Ganham dinheiro com estes materiais?

Não. As publicações desta secção não contêm links de afiliados, blocos publicitários ou botões de reserva, e esta regra aplica-se a todos os textos da secção sem exceção.

Em resumo

Removemos do site todos os guias de viagem sobre a Rússia, a Crimeia ocupada e a Abecásia, e os endereços antigos agora redirecionam para os textos desta secção. A base não é apenas editorial: a UE tem uma proibição direta de serviços turísticos na Rússia, incluindo a sua publicidade. O nosso argumento sobre o dinheiro assenta na estrutura do orçamento, em que as receitas não provenientes do petróleo e do gás cresceram para cerca de 78 por cento. A posição editorial dirige-se ao Estado e às suas políticas, não às pessoas. Respondemos aqui à pergunta original do leitor, e os destinos que continuamos a cobrir estão listados acima.

Como pode ajudar

Não recolhemos dinheiro e não recebemos nada dos links abaixo. São sites oficiais de organizações que trabalham com as consequências da guerra:

Fontes

Data de verificação dos links: 03.09.2026.